Lições que aprendi a primeira vez que um cliente deixou de pagar.

Eu havia acabado de ser demitido do meu primeiro emprego como publicitário, era um estágio, sendo assim, eu não tinha nem direito a seguro desemprego, a única coisa que permaneceu foram as minhas dividas.

Ao mesmo tempo em que estava desesperado por não ter uma fonte de dinheiro, eu estava tranquilo por não ter que voltar mais para aquela agencia que, na verdade, não me agradava nenhum pouco. Então decidi que iria mandar meu currículo para algumas agencias mas também o mandaria direito para algumas empresas me candidatando como freelancer de social media. Deu certo, com apenas um cliente como freela eu conseguia tirar o equivalente a quantia que eu ganhava na agencia cuidando de, em média, 15 clientes.

Vamos dar inicio a sequencia de erros.

1. Eu estava muito tranquilo.

Fazendo a metade da metade do trabalho e ganhando o equivalente. Quem não estaria? Uma pessoa com o mínimo de desconfiômetro não estaria. Mas eu, como era minha primeira experiência agindo sozinho, fazia todo o meu trabalho no começo da semana, aguardava a aprovação e agendava. No resto da semana, eu estudava conteúdos extras, tratava meus trabalhos da faculdade com muito mais capricho devido ao tempo que eu tinha disponível e se depois disso ainda sobrasse tempo, eu fazia qualquer coisa aleatória do tipo ir ao cinema em uma quinta-feira à tarde.

É errado ficar tranquilo? Quando você tem apenas um cliente e toda sua renda provem daquilo sem qualquer segurança, é. Se você tem apenas um cliente, mesmo que o acordo de vocês garanta o seu sustento, vá atrás de outro. Até porque, se você tiver apenas um cliente, você se torna refém dele, é praticamente obrigado a aceitar qualquer proposta que ele imponha.

2. Trabalhava sem contrato.

É como diz o ditado “o combinado não sai caro”, mas quando essa combinação não está bem resolvida, sai bem caro. É compreensível que haja necessidade de um JOB sem contrato quando o mesmo tem muita urgência, mas não era o caso, era falta de experiência mesmo. Mas de qualquer forma, a dica que fica é: sem contrato = pagamento adiantado.

Até mesmo dessa forma podem acontecer problemas, mas pelo menos o seu dinheiro já está garantido.

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3. Acreditava em desculpas esfarrapadas.

Quando você trabalha, a única coisa em que você deve acreditar, enquanto falamos em pagamentos, é em extratos bancários. Às vezes, pode ser um pouco desagradável pedir o extrato da transferência, até porque passa a impressão de que você não confia no seu cliente, mas você pode dizer algo do tipo “você poderia me mandar o extrato? É que existem outros pagamentos com valores muito parecidos e eu vou usar os extratos para organizar as finanças aqui a partir disso.” Outra coisa, se o cliente realmente fez o pagamento, ele vai te mandar numa boa.

Só não confie em desculpas esfarrapadas do tipo:

  • Eu estou com a conta da WEB bloqueada, assim que der para ir ao banco eu te pago;
  • Meu limite de transferência já excedeu hoje (não tolere mais que duas vezes);
  • Estou muito ocupado mas assim que sobrar um tempinho eu deposito pra você.

Conclusão:

O serviço foi feito, a página deu bastante resultado, eu fiquei sem cliente e sem dinheiro e a pessoa responsável por me pagar acabou sumindo.

Mas mesmo assim, não considero algo que tenha sido de todo o mal. Acho que são essas coisas que nos ensinam que trabalho não é brincadeira e que não devemos deixar que tudo dependa de um só cliente enquanto somos freelancers.

Espero que essas dicas sirvam para você, e que se alguma dessas situações é a sua realidade, que você saia logo dela. Afinal, não são coisas difíceis de resolver, apenas dê um pouco mais de atenção realmente olhando seu trabalho como um negocio. Eu sei que é muito romântico dizer que você faz tal coisa por amor e pode ser difícil ter que administrar toda essa parte burocrática, mas é necessário, ainda não conseguimos pagar os boletos com amor.

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Enviado por Daniel Henrique

Publicitário pela Universidade Regional de Blumenau. Coordenador de conteúdo na Spitze Network.