Teorias da comunicação: a importância da contextualização

Nós seres humanos somos seres sociais, é daí que vem a nossa necessidade de comunicação, não importa se estamos em papeis de emissores, receptores ou alternantes em uma conversa, por exemplo. O que de fato se faz necessário em qualquer tipo de comunicação, é que se faça uso de um sistema de signos de forma a organizar a mensagem para que tudo funcione.

As mensagens mostram sua marca e traçam um efeito de acordo com seu modo de funcionamento. Na faculdade, quando estudamos teorias de comunicação, aprendemos logo no começo o básico, os pontos cruciais para se estabelecer qualquer tipo de comunicação. Sendo assim, o que um comunicador deve ter claro em sua mente é que antes de transmitir qualquer mensagem, devemos analisar esse fatores:

Comunicação: a importância da contextualização

Emissor ou destinador: alguém que emite a mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo, uma empresa, uma instituição.

Receptor ou destinatário: a quem se destina a mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo ou mesmo um animal, como um cão, por exemplo.

Código: a maneira pela qual a mensagem se organiza. O código é formado por um conjunto de sinais, organizados de acordo com determinadas regras, em que cada um dos elementos tem significado em relação com os demais. Pode ser a língua, oral ou escrita, gestos, código Morse, sons etc. O código deve ser de conhecimento de ambos os envolvidos: emissor e destinatário.

Canal de comunicação: meio físico ou virtual, que assegura a circulação da mensagem, por exemplo, ondas sonoras, no caso da voz. O canal deve garantir o contato entre emissor e receptor.

Mensagem: é o objeto da comunicação, é constituída pelo conteúdo das informações transmitidas.

Referente: o contexto, a situação aos quais a mensagem se refere. O contexto pode se constituir na situação, nas circunstâncias de espaço e tempo em que se encontra o destinador da mensagem. Pode também dizer respeito aos aspectos do mundo textual da mensagem.

Quando um desses fatores não está bem alinhado, podem haver ruídos na comunicação, a mensagem pode ficar sub entendida, ou pior ainda, pode causar o efeito reverso.

Quando uma propaganda surte efeito contrário.

Antes de anunciar um produto, é preciso saber se tudo o que o que é necessário para realizar uma venda está alinhado. É possível até que uma propaganda de TV da LG ocasione uma venda de uma TV Philips, exemplo: Você está assistindo ao futebol na Globo na quarta à noite, no intervalo do jogo um comercial de TV da LG é veiculado: “TV LG 42” etc por R$1400,00 só hoje em tal loja”. Então você se interessa e vai pesquisar na internet e descobre que uma TV da Philips do mesmo tamanho e com as mesmas funções está custando R$1200,00 em tal loja. Nesse caso, a propaganda da LG acabou vendendo uma TV da concorrência.

Esse é um contexto no qual a data de veiculação pode não ter sido analisado com cautela, sendo que tal loja estaria com um grande percentual de desconto e o consumidor atual é mais conectado do que nunca.

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Um caso recente de equivoco no contexto: 
No dia 10/03/2017 um anúncio do jornal Estadão acabou saindo em um espaço não muito apropriado, o pior de tudo é que o erro ocorreu na versão impressa do caderno. Se fosse na versão on-line seria mais fácil contornar o erro? Por um lado sim e por outro não, os erros são uma das maiores fontes de virais na internet, os leitores fazem print screen e tornam o conteúdo imortal. Mesmo que tudo tivesse sido alterado na página, os prints não deixariam a história morrer.

A peça:

Comunicação: a importância da contextualização

Caderno de Esportes do Estadão com propaganda da Azul (Estadão/Reprodução)

Pois é, aqui tudo piora pelo teor emocional que a matéria traz. Em uma ordem de leitura natural, o leitor iria ler a matéria primeiro e depois o anúncio, o fato é que a a notícia relembra a tragédia que aconteceu com o time de Chapecó no acidente aéreo que levou ao óbito grande parte do elenco do mesmo. Além disso, relembrando esse o assunto, outros gatilhos mentais são acionados, e se o pararmos para refletir por 20 segundos apenas, não é difícil lembrar do “grande” número de acidentes aéreos que ocorreram em um curto espaço de tempo.

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Em uma matéria que contem sentimentos de tristeza relacionados a um acidentes aéreo, colocar um anuncio em que a frase: “Sua alegria faz a gente voar.” pode causar efeitos muito prejudiciais não só a marca em questão, mas sim a todo sistema de transporte aéreo. Novamente, como a propaganda de uma marca de TV pode vender outra, a propaganda de uma empresa aérea inserida em um contexto desfavorável pode prejudicar também outras marcas do mesmo segmento.

De quem foi o erro?

Apesar de muito prejudicada, o erro não foi da marca Azul ou qualquer de qualquer agência de propaganda que trabalhe para a empresa. O erro foi do equipe do Jornal Estadão, que inseriu o anuncio no lugar errado na hora de diagramar o conteúdo.

De qualquer forma, é triste “aproveitar” a desgraça de um para promover o outro, mas um anúncio de seguro de vida funcionaria muito melhor dentro desse espaço.

Mas essa não foi a única vez em que o contexto prejudicou a mensagem, dê uma olhada nesses dois exemplos:

Comunicação: a importância da contextualização O anúncio da rede McDonald’s não deve ter surtido o efeito esperado sendo exibido ao lado de uma noticia como essa.

Comunicação: a importância da contextualização

O pop-up da Peixe Urbano que pretendia tirar proveito da música Assim você mata o papai da banda Sorriso Maroto também não funcionou muito bem no contexto em que foi exibido.

E aí, o que você acha de tudo isso? Deixe sua opinião nos comentários.
Referências:

 

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Enviado por Daniel Henrique

Publicitário pela Universidade Regional de Blumenau. Coordenador de conteúdo na Spitze Network.