Trocar as cores de um elemento não irá salvar o seu projeto

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Pelo aplicativo “Saúde” do iPhone, descobri que esse é o número exato de passos que dei hoje. 190 passos abaixo da média diária recomendada por especialistas para se manter saudável, para ser exato. Esta é apenas uma fração das inúmeras maneiras pelas quais aplicativos, dispositivos e plataformas medem meu desempenho diariamente.

O quão bom eu estou sendo em termos de atividades físicas e produtividade? E sobre manter o foco e organizar minha vida financeira? Será que posso fazer melhor?

A resposta sempre será sim. Existem aplicativos para todas estas coisas. Nós nos metamorfoseamos em uma cultura obcecada em otimização guiada por dados. Apelamos para a isso porque temos a promessa de atingir algo perfeito. Uma solução milagrosa e rápida, que ignora todos os outros degraus que antes eram necessários e que foram enfrentados por nossos pais e todas as outras gerações desprovidas de tecnologia.

A promessa é: se seguirmos alguns passos simples, poderemos manter relações de forma sadia, trabalhar e ter a vida que sempre sonhamos.

Perseguindo a perfeição vs. a manutenção da perspectiva.

Essa mentalidade de otimização constante também se aplica ao mundo dos projetos, não importa qual tipo de serviço você oferece. Existe sempre uma ferramenta que promete metrificar tudo a fim de tornar tudo mais rápido, barato e perfeito.

Os testes de A/B e outros termos growth hacking extravagantes invadem nossas vidas com a promessa de trazer dados e percepções, o que esperamos que aumente nosso crescimento de forma acelerada.

Afinal, os dados não mentem – são livres de afeto, objetivos e em preto e branco. Dessa forma, parecem seguros, uma vez que nos fornecem verdades absolutas. Isso serve como um norte super confiável e dessa forma acreditamos que todo o projeto fluirá de forma embasada e o resultado será perfeito.

Mas será que os dados são a nossa desculpa para um atalho para o sucesso em vez de construir um produto que os clientes adoram?

Leve como exemplo: em 2016, a equipe de design do Google dirigida por Douglas Bowman testou 41 diferentes tons de azul no logo do Google. Os dados se tornaram algo ruim para eles, uma vez que se tornaram extremamente dependente do uso de todas as variações e testes possíveis.

Sim, é verdade que uma equipe do Google não conseguiu decidir entre dois tons de azul, então eles estão testando 41 tons entre cada azul para ver qual é a melhor performance. Eu tive um debate recente sobre se uma fronteira deveria ter 3, 4 ou 5 pixels de largura, e foi solicitado a provar meu caso. Não posso operar em um ambiente como esse. Fiquei cansado de debater tais minúsculas decisões de design. Há problemas de design mais emocionantes neste mundo para abordar. Leia na integra no post Goodbye, Google no Blog Stop Design.

Todo esse tempo e recursos que foram gastos com esses testes poderiam ser usados para que as experiências dos clientes fossem recolhidas e também as opiniões deles. Afinal é o cliente que fará uso do produto final, não os dados.

Embora os dados não sejam malignos, uma dependência excessiva deles pode enxugar nossa capacidade de perceber soluções criativas para problemas fundamentais.

Quando estamos hiper focados nas microinteracções, perdemos a nossa perspectiva; e quando diminuímos o zoom, podemos ficar com uma quebra-cabeças não reveladora de peças mal ajustadas. O crescimento real vem de um lugar muito mais multifacetado do que um esquema de “termine tudo e ganhe ainda mais dinheiro”.

Podem existir fumaças e espelhos, mas não há mágica aqui.

Tal como acontece com a otimização, queremos acreditar em um truque de mágica que nos permite ignorar a fila da superestrutura, hiperinflando nosso crescimento com um esforço mínimo à escala máxima. Imaginamos que existem portas de conversão escondidas com milhares de clientes esperando atrás delas: tudo o que precisamos fazer é encontrar a chave, mas acredite, essa chave não é a variação de cor de um objeto.

Infelizmente, o termo “growth hacking” de Sean Ellis foi mal interpretado nos últimos anos. É claro que ele não pretendeu que o growth hacking se tornasse um sinônimo de “Não quero trabalhar duro nem gastar dinheiro”.

Pense novamente nos maiores nomes referentes ao uso do Growth Hacking:

O quão longe eles parecem estar dos bots de automação de redes sociais e backlinks de SEO e etc, etc, etc? Eles estão muito mais preocupados com os clientes. É claro que a experiência on-line deve ser pensada, mas isso não é tudo, é só uma parte de um grande projeto.

Hoje, o growth hacking passou a representar algo que engana as pessoas em vez de empoderá-las. É a imitação de questões complexas em teorias facilmente digeríveis, a substituição de balas de chumbo inconvenientemente pesadas por aquelas mais bonitos e de prata leve.

Isso está visando vitórias a curto prazo, não crescimento a longo prazo. Falta paciência e há a valorização da gratificação instantânea.

Se aplicado a um relacionamento, isso seria traduzido como: o quão pouco eu preciso me preocupar com você para fazer você se preocupar comigo?

É isso que você quer dizer para um cliente?

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Então: quanto nós nos preocupamos com nossos clientes?

Os clientes são pessoas com quem entramos em conversões; por causa do argumento; vamos chamá-lo de: amizade. Todos sabemos que, para que uma amizade cresça, é necessário que haja um alto grau de transparência e respeito. Mas, no meio deste incessante otimização e ações de growth hacking, esses fatores geralmente são comprometidos ou completamente esquecidos.

Se o nosso cliente se sente negligenciado, com falta de atenção ou dado como “concluído”, ele nos deixará. Porque ele é um humano, não um bot de dados.

Então, com o tempo e os recursos limitados de uma inicialização, devemos nos concentrar em hacks de crescimento de curto prazo ou na questão menos científica, mais qualitativa de aproveitar e agradar nossos clientes e fazer com que eles se sintam valorizados?

Invista seu tempo no serviço ao cliente em vez de cores de botões. Não engasgue seus clientes nem os engane. Tente compreendê-los. Ganhe sua confiança, sua consciência e seu respeito.

Não haja apenas como um peão, você pode ser todas as peças do tabuleiro.

Se você quer conseguir um job de uma peça gráfica, continue tratando seus clientes como registros em bancos de dados, mas se você quer crescer junto com eles e conseguir grandes projetos juntos, pare de tratá-los como clientes e passe a tratá-los como amigos ou parceiros, feito isso, todo o resto do processo se reverterá em algo muito maior.

É preciso que você se imagine em diferentes posições, é claro que quem paga você, de forma direta, é o cliente contratante. Mas de uma perspectiva mais abrangente, quem paga você de verdade é o cliente final. Então tente otimizar todo o seu trabalho para esse indivíduo, não haja apenas como um peão que só recebe ordens, afinal se alguém te contrata e precisa te dizer o que fazer, há algo errado.

Então tome liberdade para participar de forma mais densa dos projetos dos quais você está envolvido e acredita.

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Enviado por Daniel Henrique

Publicitário pela Universidade Regional de Blumenau. Coordenador de conteúdo na Spitze Network.